segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ufal estuda parceria com Museu Darwin de Moscou

O museu é um dos mais importantes da Rússia e sua parceria pode ajudar a reestruturação do Museu de História Natural da Ufal

Por Pedro Barros - estudante de jornalismo

A diretora do Museu Darwin de Moscou, Anna Klyukina, em visita a Alagoas, reuniu-se esta segunda-feira (11) com docentes, pesquisadores, técnicos e os reitores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Eurico Lôbo e Rachel Rocha. Os gestores trocaram informações sobre as instituições e discutiram a possibilidade de um convênio entre elas. A proposta é que a parceria contemple intercâmbio de alunos e professores, troca de material científico e a produção conjunta de artigos e periódicos acadêmicos.

Prof. Dr. Jorge Luiz Lopes da Silva mostra fóssil da mandíbula de um mastodonte, encontrado no sertão alagoano. Da esquerda para direita, Vladmir Levit, Natalia Fedorova e Anna Klyukina. Foto: Pedro Barros
  
Pela manhã, Klyukina conheceu os laboratórios e as coleções de répteis, anfíbios, moluscos, paleontologia e geologia do Museu de História Natural. A diretora também visitou a réplica da caverna e o salão de exposição do museu, atualmente fechados.
 
Para o biólogo Filipe Augusto Nascimento, a importação e exportação de espécimes científicos será muito importante para ambas as instituições, devido a acentuada diferença entre os biomas brasileiros e russos. "São continentes que possuem diversidades biológicas diferentes. A importância primária para os museus é aumentar a representatividade dos acervos. Podemos ter peças que de outra maneira seria impossível adquirir. Ambas as instituições serão beneficiadas por essa troca", afirma Nascimento.

"Fizemos um pequeno livro sobre os 100 anos de nosso museu e vocês fizeram um grande livro para os 50 anos da universidade", brincou Klyukina ao receber do reitor a publicação comemorativa dos 50 anos da Ufal. Foto: Pedro Barros
  
O reitor reafirmou o compromisso com o Museu de História Natural, com a proposta de transferi-lo para o prédio do antigo Centro de Ciências Biológicas (CCBI). "Firmamos um acordo com o Governo do Estado, devido a situação crítica do momento, mas isso é temporário", explicou Lôbo, referindo-se à instalação de salas para o Instituto Médico Legal (IML) no local. Reiterou, no entanto, que a obra, que também inclui a criação do Memorial da Ufal, devido a sua complexidade e peculiaridades, não deve ser concluída a curto prazo.

"A manutenção do museu é algo muito complexo e requer pessoas qualificadas em várias áreas de conhecimento para dar suporte, talvez seja um dos núcleos mais complexos em termos de construção, gerenciamento e divulgação", afirmou o reitor. Este ano, o museu recebeu três novos funcionários.

Anna Klyukina chamou a atenção para a necessidade de divulgação científica para a população em geral, para que o conhecimento não circule somente entre os cientistas. "É necessário criar uma geração cientificamente educada", declarou. Segundo a bióloga, os museus são um importante meio para essa finalidade: hoje, muitos pesquisadores agradecem ao Museu Darwin por divulgar suas descobertas.

O museu russo também poderá auxiliar museus alagoanos através de orientações, informações e métodos relativos a conservação, manutenção e exposição de acervos.

Anna Klyukina em visita ao auditório da Usina Ciência. Foto: Pedro Barros.


Museu Darwin
O Museu Darwin de Moscou é o mais importante museu de história natural da Rússia, chegando a receber mais de 500 mil visitas por ano. O museu foi fundado em 1907 pelo naturalista Alexander Kohts. Atualmente trabalha com coleções e pesquisas em diversas áreas, de humanas a naturais. O interesse é aproximar a ciência do público, levando conhecimento em linguagem popular.
 
Anna Klukina foi auxiliada pelos intérpretes Vladmir Levit e Natalia Fedorova, professores russos do curso de meteorologia da Ufal. O Ciclo de Debates sobre o Binômio Natureza/Cultura e as negociações com o Museu Darwin fazem parte do projeto "Uma cultura anfíbia na transversalidade de saberes: Alagoas e Rússia", coordenada pelo Programa de Pós-Graduação em História da Ufal, em conjunto com o Museu de História Natural, o Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS), o Instituto de Ciências Atmosféricas (Icat), do Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes (ICHCA), as pró-reitorias de Extensão (Proex) e de Pesquisa e Pós-Graduação (Propep).

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